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“O CONSERTADOR DE COISAS”, DE MILENE BARAZZETTI

livro individual 6

A narrativa infantil “O consertador de coisas”, de Milene Barazzetti, foi finalista do Prêmio AGES (Associação Gaúcha de Escritores), edição 2013, na categoria Obra Literária Infantil. Na leitura desta narrativa, percebemos que a ficção pode tratar de assuntos muito subjetivos, ao recriar situações cotidianas como a morte, sem abordá-la de forma realista. Na história, a pequena Sophie, que perdeu o pai (o marceneiro de quem tanto gostava de ver trabalhar), se trancafia em si mesma, sem conseguir se abrir, tampouco chorar ou falar sobre isso com sua mãe, de modo que esse sofrimento interno não é exteriorizado senão na escrita de cartas, cujo destinatário é o Consertador de coisas.

Esse era o refúgio da personagem. Essas cartas foram tomando uma grande proporção, de modo que seu quarto ficou repleto delas. Sua mãe, então, lê uma delas, em que Sophie descreve parte do que está se passando em sua casa com sua mãe, sua avó e seu gato. Ela também cobra a resposta do Consertador de coisas a suas cartas anteriores e, em seguida, pede ajuda, nas seguintes palavras: “Mesmo com tudo isso eu não consigo chorar. Preciso da sua ajuda. Continuo infeliz. Será que quando conseguir chorar você pode ajudar a consertar meu coração?” (BARAZZETTI, 2013, p. 17). Quando percebe que sua mãe leu uma de suas cartas, Sophie briga com ela e vai para o único lugar onde se sente segura, o sótão de sua avó. Nesse espaço, mais precisamente na janela do sótão, chora muito. Esse choro atrai um vendedor, que negocia com sua avó um livro chamado “O Consertador de coisas”.

Barazzetti (2013) aborda singularmente questões como os sentimentos da criança, sua revolta, sua forma de ver as coisas e buscar um refúgio para tentar se desligar do seu sofrimento, sobretudo sua necessidade de conseguir se libertar desse sentimento que não a deixa viver em paz. A obra demonstra, ainda, o abatimento da personagem, sua apreensão e seu ardor pela ausência do pai, além da carência que essa perda ocasiona.

Outro ponto que devemos destacar é a linguagem do texto. A autora apresenta uma brevidade atraente na narrativa que a permite dizer muito com poucas palavras, de sorte que o leitor é levado a realizar leituras muito maiores a partir do não-dito no texto. Conheça a linda história de “O Consertador de coisas” na Habilis Press Editora!

Fabiano Tadeu Grazioli (Habilis Press Editora)
Alexandre Leidens (convidado)

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