Infantojuvenil

“CEM PINGUINS OU SEM PINGUINS?”, DE ADRIANO MESSIAS

livro individual 1

Na obra infantojuvenil “Cem pinguins ou sem pinguins?”, de Adriano Messias (2012), Seu Ling, um chinês comerciante de bugigangas, é o cerne de uma grande confusão iniciada por um erro na escrita do telégrafo. Tudo começa quando ele vai até o telegrafista para que seja mandada uma mensagem para seu revendedor, na China, encomendando cem (100) pinguins de geladeira; no entanto, o telegrafista escreve para o revendedor “mandar cem pinguins em geladeira” (MESSIAS, 2012, p. 8).

Podemos imaginar a confusão que isso causou quando esses pinguins chegaram a São Longuinho, pequeno e pacato vilarejo, distante de tudo. A trapalhada, porém, não para por aí. Seu Ling volta ao telégrafo e pede para que ele escreva para o revendedor:

“PODE MANDAR NAVIO DE NOVO, MAS SEM PINGUINS.
E o telegrafista, que não tinha aproveitado mesmo as aulas de português na escola, escreveu o seguinte:
– PODE MANDAR NAVIO DE NOVO: MAIS CEM PINGUINS.
Duas semanas mais tarde, a cena aterrorizante se repetiu.” (MESSIAS, 2012, p. 17).

Observamos que essa brincadeira envolvendo o jogo de palavras é um quesito bastante presente na obra, que permeia toda a narrativa, a torna instigante e cativa o leitor, de maneira que ele é apanhado pela curiosidade em saber o que acontecerá em seguida, quais serão as atitudes do personagem e em que elas irão resultar.

Depois de muitos outros pinguins lotarem a pequena São Longuinho e Seu Ling receber algumas reclamações, inclusive do prefeito da cidade, todos vão até o telégrafo e conseguem enviar a mensagem: “ AO CAPITÃO DO NAVIO CHINA: NÃO MANDAR MAIS PINGUINS. RECOLHER OS QUE AQUI ESTÃO. FOI TUDO UM ENGANO” (MESSIAS, 2012, p. 25); e só então a confusão é desfeita.

Por fim, parecendo tudo estar resolvido, Seu Ling, comerciante perspicaz, ao saber do desejo de uma cliente em ter alguns vasos coloridos e algumas medalhas de São Longuinho, vai correndo até o telégrafo e pede mil garrafas e duas medalhas de São Longuinho. O telegrafista, por sua vez, escreve o pedido: “Mil girafas e dois mil dromedários a São Longuinho” (MESSIAS, 2012, p. 31).

Há uma conotação notadamente anedótica que coloca o personagem em situações constrangedoras e estapafúrdias. Além disso, verificamos, também, que a obra brinca com os erros das pessoas, com as situações inusitadas, com os problemas que devem ser resolvidos o mais rápido possível e com as dificuldades de comunicação; entretanto, o faz de uma forma leve e engraçada.

Por certo, a percepção do leitor sobre os erros, os equívocos de outras pessoas será modificada a partir da leitura de “Cem pinguins ou sem pinguins?”. É uma obra inusitada, humorística, lúdica, que fisga os pequenos leitores já no início e no decorrer da leitura essa conexão do leitor com a obra tende a se fortalecer, a tornar a leitura deleitosa, de maneira que é difícil deixá-la antes de terminar a obra. Conheça mais sobre este livro infantojuvenil na Habilis Press Editora!

Fabiano Tadeu Grazioli (Habilis Press Editora)
Alexandre Leidens (convidado)

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